Biópsia embrionária e screening genético pré-implantacional

Biópsia embrionária e screening genético pré-implantacional

Dados recentes mostram que 50% – 70% dos abortamentos se devem à utilização de embriões com alteração cromossômicas, ou aneuploidias. Ao mesmo tempo, sabemos que a incidência de aneuploidias embrionárias aumenta exponencialmente com a idade dos pais. Por isso, a identificação de embriões portadores de aneuploidias é hoje tão importante num cenário em que cada vez mais mulheres com idade avançada buscam a fertilização in vitro (FIV).

O rastreamento genético pré-implantacional, ou PGS (preimplantation genetic screening) é o processo que permite identificar os embriões com alto potencial de implantação de análise do DNA embrionário antes da transferência. Esse procedimento de análise genética possui taxa de sucesso aumentada quando feito de maneira abrangente, ou seja, analisando o máximo possíveis de regiões do DNA. Sendo assim, o rastreamento cromossômico abrangente é uma das maneiras encontradas para melhorar a avaliação embrionária.

O primeiro passo para criar a biópsia embrionária, depois, é claro, de uma boa indicação de clínica, diz respeito ao embriologista, que deve cultivar os embriões preferencialmente até o quinto ou sexto dia de desenvolvimento, e é chamado de biópsia de blastocisto, o que requer equipamentos e manejo adequado, o que será assunto para outro tópico do Blog.

O processo de biópsia se inicia no terceiro dia de desenvolvimento, quando o embriologista realiza uma abertura na Zona Pelúcida do embrião com o auxílio de um raio laser (Assisted Hatching). A partir daí, esse embrião fica mais 48hrs em cultivo até formar um blastocisto e, por consequência da pequena abertura realizada previamente, também formar uma hérnia com cerca de 5 células. No dia da biópsia, o embriologista, utilizando equipamentos especiais e específicos, remove essas 5 células.

O embrião de biópsia é, então, criopreservado para garantir a sua qualidade para esperar o resultado do exame genético. Para isso, as células removidas do embrião são fixadas em uma solução que preserva o DNA e enviadas para o laboratório, e, cerca de 10 dias depois, temos o resultado indicando quais dos embriões são saudáveis geneticamente.


Autor: Dr. Vinicius Bonato da Rosa

Formado em Ciências Biológicas – Ênfase em Biotecnologia pela Universidade do Vale do Itajaí.
Especialista em Reprodução Humana Assistida pelo Instituto Sapientiae – SP
Mestrando em Reprodução Humana pela USP
Tutor do PEConline e Acreditador da REDLARA
Membro do Comitê Nacional de EMbriologistas do SBRH
Diretor do laboratório de Reprodução Humana da Clínica Conceber

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