Nefrolitotripsia Percutânea para tratamento de cálculos renais

Nefrolitotripsia Percutânea para tratamento de cálculos renais

A cirurgia minimamente invasiva para tratamento da litíase renal iniciou-se no ano de 1976, quando foi realizada a primeira remoção de um cálculo renal através de um trajeto de nefrostomia. Após um período de consolidação do método, esse tornou-se o padrão ouro para tratamento de cálculos renais volumosos ou coraliformes.

Essa técnica pode ser realizada com o paciente em posição de decúbito dorsal ou ventral, sendo esta uma escolha do cirurgião, porém existem casos específicos em que uma ou outra posição pode estar mais indicada. Uma vez escolhida a posição, o paciente é submetido a um cateterismo ureteral no lado que será operado, para a injeção de contraste, permitindo a visualização do sistema coletor renal sob controle radioscópico. A próxima etapa consiste na punção do rim por agulha e a introdução de um fio guia, que irá garantir o trajeto entre a pele e o interior do rim.

Na cirurgia percutânea convencional, este trajeto deverá sofrer uma dilatação de aproximadamente 10 mm, utilizando-se dilatadores de Amplatz, que permitirão a passagem dos instrumentos necessários à realização do procedimento. Devido a complexidade ou volume dos cálculos, podem ser necessárias mais de uma punção.

Pelo interior da bainha de Amplatz, é possível introduzir o nefroscópio, para que se tenha uma perfeita visão do interior do rim, localizar o cálculo que se deseja tratar, e realizar a litotripsia (fragmentação) utilizando-se para este fim várias fontes de energia, sendo as mais empregadas a ultrassônica, a pneumática e o laser. Os fragmentos remanescentes podem ser aspirados ou retirados com pinças permanentes ou descartáveis.

Ao término do procedimento a via excretora renal deve ser drenada utilizando-se o cateter de nefrostomia (drenagem externa) e/ou o cateter duplo jota (drenagem interna), ficando a utilização e retirada posterior destes dispositivos à critério do médico assistente.

Este método, possui algumas complicações, sendo as mais importantes o sangramento intra ou pós operatório, infecção,  e lesão de órgãos adjacentes. Entretanto, um estudo realizado pela Sociedade Internacional de Endourologia em 2011, com mais de 5.000 pacientes revelou que em mãos experimentadas, a maioria das complicações são de menor gravidade, ficando o alto risco cirúrgico e o maior tempo operatório como os responsáveis pela maior severidade das complicações.

 


Autor: Augusto Olavo Martins Xavier
Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
Coordenador do DPTO de Urololitíase – SCMRJ Hospital da Gamboa
Diretor científico Lithomentor Capacitação em Endourologia

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